sábado, dezembro 16, 2006

Cabo Geraldo e o Assalto ao Banco

Tem um cabo no Quartel
O Geraldo, amigo meu
Vou te contar agora
Um fato que ocorreu
Um causo interessante
Foi por um instante
Que a bala não comeu

Noite de sexta feira
Como sempre ocorria
Geraldo andava liso
Doido por uma “fria”
As nove ele pensou
No banco 24H vou
Buscar minha garantia

Chinelo de dedo no pé
Um calção de surfista
Boné de picolezeiro
Parecia um “turista”
Mas antes de sair
Lembrou de prevenir
Dos malas e “artistas”

Pegou seu três oitão
Na cintura colocou
Se vier algum malaca
A grana eu não dou
E pode vim tomar
Fácil não vai levar
Foi aí que vacilou

Chegando no banco
Todo mundo se virou
Do seu modo de vestir
A negada reparou
Virou logo suspeito
Trajado daquele jeito
O medo levantou

Geraldo ficou na dele
Pois queria era sacar
O resto da merreca
E sair para farrear
O que não imaginava
Que a vida preparava
Outra peça pra lhe dar

Estacionou uma moto
Em frente ao banco
Desceu o garupeiro
Ali naquele canto
O capacete não tirou
No recinto ele entrou
O Geraldo teve espanto

E o outro motoqueiro
A moto não desligou
Fechando a entrada
A cena completou
E naquele instante
Sem ficar vacilante
Geraldo se preparou

Só vou dar o tempo
De o malaca anunciar
Sei que é assalto
Ninguém pode negar
Estou já é preparado
O circo ta armado
E o bicho vai pegar

O garupeiro pra piorar
Logo que entrou
Dirigiu-se a uma mulher
E o sangue esfriou
“Bora” que é um assalto
Bote a mão pro alto
Que armado eu estou

Sem pensar duas vezes
Geraldo logo sacou
A bruta da sua arma
E a mulher ele afastou
Rápido feito um trem
Pra não deixar refém
Parecia ate um ator

Branco feito neve
O cabra logo ficou
O que tava na moto
Ligeiro se mandou
Geraldo ia atirar
A prudência fez lembrar
O revolver ele não tirou

A mulher se tremendo
Fez uma revelação
Chorando feito menina
Naquela aperreação
Disse sem pestanejar
Com lagrimas no olhar
Mas Marido, que arrumação

Pois não era seu esposo?
Que tinha ido buscar
A pobre da senhora
Que estava a demorar
E na fila daquele banco
Quase acabava em pranto
Pro Geraldo se enrolar

O homem se tremendo
Danou-se a pedir perdão
Sou um pai de família
Não me tenha por ladrão
Isso tudo foi brincadeira
Que deu na minha telha
Foi só falta de atenção

Esse caso é verdadeiro
Que sirva de lição
Brincadeira tem hora
E disso tenho razão
O Geraldo aprendeu
O revolver ele vendeu
Pra fugir de confusão



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